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Explosão de Siglas - Revista Isto É Dinheiro
11/07/2007
Não vale fazer uma pesquisa na internet, antes de responder. Você conhece essas siglas: SaaS, SOA, IP, ASP, VoIP, VPN, DBA, ERP, HTTP, ISP, ASP, LAN, SAN, BPM, COM, ROI, MDA, MDD, RUP E XP? Caso não faça a mínima idéia do que todas essas combinações de letras significam, provavelmente você não trabalha em alguma empresa de tecnologia. Pois é, com o auxílio dessas e de muitas outras siglas os profissionais do setor se comunicam entre si e com seus clientes.
Assim, quando um empresário ou analista em tecnologia abre a boca, pronto! Qualquer leigo se desespera e se sente um “ser de outro planeta”. Agora vale perguntar: essa sopa de letras não atrapalha as empresas de tecnologia na hora de fecharem um negócio? “Elas atrapalham e confundem os clientes, sim. É um fator que dificulta a vida de companhias que querem implantar uma solução em tecnologia da informação”, diz Vinícius Freire Moura, presidente da ImagePro, especializada em soluções de tecnologia para o mercado corporativo . Moura ressalta que muitas dessas siglas e jargões, na essência, “querem dizer a mesma coisa”. Ou seja, é vestir antigos produtos com novas roupas.
A Stefanini, uma das maiores empresas de software do Brasil, também vê na abundância de siglas m problema para se relacionar com os clientes. “Às vezes, antes de se tornarem conhecidos, esses termos ganham significados que não são corretos. A confusão só aumenta”, conta Sílvio Passos, diretor de serviços da Stefanini. Passos recorda um caso que acabou confundindo todo o mercado da tecnologia. Trata-se da sigla BPM, que pode significar tanto Business Process Management como Business Performance Management. As denominações são parecidas, mas os serviços que designam são totalmente diferentes. Business Performance Management é o conjunto de ferramentas para o controle logístico. Business Process Management é utilizado para soluções tecnológicas voltadas para o processo de aprovação de contas e notas fiscais.
Mas qual seria a solução para evitar a confusão dessa sopa de letras? “Deveríamos criar uma lista, sem caráter de lei, que serviria para padronizar alguns processos em tecnologia”, sugere Moura. O presidente da ImagePro diz que o único problema seria definir “a entidade que coordena essa tarefa”. Há quem discorde, com ênfase, dessa proposta. “Acho uma loucura criar uma lista. A primeira dificuldade é que a cada dia surge uma nova sigla ou nome esquisito em tecnologia. Isso não dá certo”, diz Antônio Carlos Rego Gil, membro do conselho da COM. Em sua visão, a solução para esse problema é outra. “Além do analfabetismo convencional, o Brasil agora tem analfabetismo digital. Incluir essa parcela da população no mundo da tecnologia é uma tarefa para ontem”, explica. Outros especialistas concordam com Rego Gil. “Acho difícil formalizar o que o mercado já adotou”, afirma Mauro Perez, analista do IDC. Por outro lado, Perez também admite que a indústria de tecnologia, no que diz respeito a nomenclaturas é “um setor mais complicado que outros”. Os próprios analistas, como Perez, são pais de muitas dessas siglas. Muitas vezes, elas surgem para criar uma espécie de “reserva de mercado” para os profissionais da área. Resolver essa equação não é simples. No setor de tecnologia brotam siglas a cada dia – agora mesmo, no momento em que você lê estas linhas, algum novo termo apareceu. Para enfrentar essa situação, fica o conselho de Rego Gil. “Sempre que você ouvir alguma sigla, pergunte o que ela significa. Você irá perceber que muitas vezes a própria pessoa que a utilizou não saberá explicá-la.”
João Prado
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