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Os serviços Web: O que são e o que podem fazer por você
06/11/2003

A confusão com o conceito de Serviços Web (em inglês, Web Services) começa pelo próprio termo em si - Serviço dá idéia de usuários interagindo com empresas para, por exemplo, comprar coisas. Na verdade, os SW são um conjunto de tecnologias que permite a integração das mais diversas aplicações, através da Internet, tanto dentro de uma única organização, como entre muitas delas. Isto permite aproximar, de forma nunca antes imaginada, aplicações que foram escritas em linguagens diferentes, para diferentes plataformas computacionais.

Um aspecto inovador dos SW é que eles são centrados em documentos ou seja, permitem que as diferentes aplicações usem documentos para trocar informações entre si. Tanto faz se as informações são estruturadas (por exemplo, aquelas contidas num banco de dados relacional) ou não-estruturadas (por exemplo, o conteúdo texto de um documento).

Com isto, aplicações mais tradicionais como CRM, workflow, gerenciamento de conteúdo, portais, sistemas legados e outros, podem falar entre si, de forma relativamente fácil.Um exemplo de aplicação seria varrer a Internet, para encontrar o preço mais barato de determinado produto, que atenda certos requisitos de disponibilidade, características técnicas etc, e colocar automaticamente um pedido a um dos fornecedores (sem saber qual, a priori), acompanhando todo o processo de fornecimento.

Os analistas prevêem o rápido crescimento dos SW, alavancado pelo uso cada vez maior da Web pelas organizações e pessoas. O Gartner Group, um dos mais conceituados analistas do mercado, estima vendas de US$ 21 bilhões em produtos relacionados com essa tecnologia já em 2005.

Entendendo a sopa de letras

Os SW são baseados em 4 protocolos-padrão, usados pelosprincipais fabricantes de tecnologias: XML, SOAP, UDDI e WSDL. O XML, um primo avançado do HTML é um método para descrever dados (setores da economia estão se juntando para criar descrições que sejam aceitas por todos por exemplo, fabricantes de sapatos de todo o mundo poderiam definir campos que descreveriam tamanho, cor, modelo e assim por diante).O SOAP é simplesmente um protocolo que define como determinada aplicação fala com os SW,para realizar uma tarefa. O UDDI funciona como páginas amarelas dos SW, dizendo o que e onde está disponível. Finalmente, WSDL é a linguagem que permite descrever esses serviços.

Se pareceu confuso, não importa. O importante é saber que os SW prometem muito porque: 1) funcionam pela Internet, onde todos estão conectados; 2) todos os grandes vendedores de tecnologia de informática concordaram em suportar os mesmos protocolos, para evitar que alguém fique isolado; e 3) facilitam em muito a integração automática (sem intervenção humana) das aplicações, permitindo realizar, pela Web, coisas antes impossíveis.

A batalha pelos Serviços Web

Há dois campos: de um lado, a Microsoft, com a tecnologia .Net, e do outro, um número de empresas, baseadas na tecnologia Java (originalmente criada pela Sun). Como sempre, há vantagens e desvantagens para cada um desses caminhos e as apostas são muito altas, pois significam o controle do mercado de informática nos próximos anos.

Pareceque o mercado acabará usando ambas as alternativas, mas ainda não é possível definir qual plataforma será dominante se é que alguma irá dominar o mercado.

E no Brasil?

Alguns mercados têm sido pioneiros na implantação desse tipo de serviços. Como sempre, o segmento financeiro saiu na frente, pois as grandes organizações contam com incontáveis aplicações que, se integradas, certamente permitiriam ganhar muito em produtividade e fornecer melhores serviços para os clientes. A mídia especializada já mostra, com certa freqüência, casos de uso dessa tecnologia.

Algumas organizações governamentais, que tradicionalmente costumam adotar logo novas tecnologias, ainda não sairam muito em campo, talvez por que as atenções hoje estejam dirigidas para a batalha do chamado software aberto (Linux e outros).

Já o setor industrial está surpreendendo. As empresas estão sendo atraídas pelo potencial de, por exemplo, substituir com vantagem soluções caras e pouco eficientes, amplamente utilizadas por elas, como o EDI (baseado em plataformas proprietárias).

Ainda não há estimativas muito precisas para o tamanho do nosso mercado, mas as previsões apontam para algo como US$ 200 milhões em vendas em 2005.

E a segurança?

Certamente este é um tópico que terá cada vez mais importância, no momento em que os SW se difundirem mais e mais. As operações pela Internet são vulneráveis a ataques externos e cria-se uma dúvida se este meio é adequado para suportar atividades críticas. É justamente este tipo de preocupação que está trazendo um boom para o mercado de tecnologias de segurança. Infelizmente foge ao escopo desse artigo avançar nessa discussão, embora julguemos importante alertar para esse aspecto.

O que os analistas estão recomendando

Há muitas publicações que orientam os interessados sobre o que fazer. Recomendamos, por exemplo, os artigos da revista CIO (facilmente acessíveis pelo site www.idg.com).

Fizemos um resumo da média das opiniões dos especialistas para o que deve ser feito. Aqui estão elas:

• Fique antenado no que está acontecendo e converse muito com outros usuários. Mantenha-se atualizado;

• Escolha, para começar suas experiências, algumas aplicações simples, que tragam resultados rápidos e cujas vantagens sejam demonstráveis;

• Antes de sair para a Internet, cuide da segurança: jamais permita a política de colocar cadeado em porta arrombada;

• Expanda os investimentos quando os resultados se mostrarem animadores;

• Escolha um tipo de plataforma e se atenha a ele.Tentar flertar com o que de melhor existe em cada plataforma aumenta muito a complexidade das soluções.


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